O PAPEL DA CONSTRUÇÃO PARA GARANTIR A SUSTENTABILIDADE

O PAPEL DA CONSTRUÇÃO PARA GARANTIR A SUSTENTABILIDADE

É fundamental ter um bom projeto elétrico e hidráulico, com propostas sustentáveis, consciência sobre uso racional e materiais certificados

A preocupação com a sustentabilidade não é mais um diferencial em uma organização e, sim, uma ação primordial para garantir a vida útil e o crescimento da empresa. Pensando nisto, estão surgindo diversas soluções que tem como objetivo diminuir os impactos ao meio ambiente e podem ser incorporadas pelas construtoras, tanto em obras comerciais quanto residenciais.

Preocupadas com o meio ambiente e com a implantação da sustentabilidade, as incorporadoras têm investido cada vez mais na projeção de empreendimentos sustentáveis, com painéis solares com placas fotovoltaicas, utilização de sistemas de reuso de água, jardins suspensos e sistemas construtivos com menos desperdício de materiais em canteiro.

Na questão relacionada ao desenvolvimento sustentável, o Brasil ficou na posição 56º (entre 156 países) com 69,7 pontos. Os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODSs) em que o Brasil obteve piores desempenhos foram: redução da desigualdade (25,7 pontos); indústria, inovação e infraestrutura (45,3 pontos); e paz, justiça e instituições fortes (47,3 pontos). O melhor desempenho do Brasil foi no objetivo Água Limpa e Saneamento foram de 98,3 pontos. No quesito desenvolvimento sustentável definido pelos ODSs, o Brasil ficou 5,6% acima da média dos países da América Latina e Caribe, mas, ainda assim, muito aquém do desejável. Com relação a todos os países analisados, o Brasil ficou um pouco acima dos 66 pontos, que foi a média mundial.

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De acordo com o Prof. Wilson Levy, diretor do Programa de Mestrado em Cidades Inteligentes e Sustentáveis da UNINOVE, a palavra “sustentabilidade” tem muitos significados. Um projeto sustentável, neste sentido, deve primeiro obedecer às normas técnicas que dispõem sobre o impacto ambiental de empreendimentos. Isso, porém, não exime o projeto de ter uma relação sustentável com seu entorno. “Vale dizer, a sustentabilidade tem também uma dimensão urbana intrínseca: um projeto será sustentável se, também, se relacionar de forma harmoniosa com o ambiente construído ao redor e com a própria cidade que o abriga. Isso abrange a adequação às normas de zoneamento e às diretrizes do Plano Diretor e, numa perspectiva mais particular, os conceitos de gentileza urbana, relativas à funcionalidade e à beleza do projeto”, destaca. Por fim, não se pode esquecer que a sustentabilidade tem uma vertente social muito clara, a envolver, inclusive, aspectos do processo construtivo, da segurança do trabalho e do cuidado com o bem-estar dos trabalhadores da construção civil.

Educação e implantação de projetos sustentáveis

A implantação da sustentabilidade em empresas de construção civil no Brasil tem sido um desafio muito grande para os profissionais de engenharia, por se tratar de uma área extremamente tradicional que sente dificuldade em implantar as novas tecnologias no mercado e também alguns dos métodos construtivos que ainda não foram comprovados por testes e normas. Porém, esta tem sido uma demanda cada vez mais buscada tanto por quem irá comprar um empreendimento quanto por empresas de diversos setores e, por isso, é extremamente necessário que o profissional de tais áreas se adapte antes que seja tarde. Sempre falamos sobre a importância da escolha dos materiais e também dos selos de certificação para que um empreendimento seja considerado realmente sustentável.

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Para o docente da Uninove, um projeto sustentável só será bem-sucedido se for produto de muitos olhares e visões, numa perspectiva interdisciplinar que considere, além de engenheiros civis e arquitetos, assistentes sociais, profissionais ligados ao meio ambiente e também técnicos de segurança do trabalho. Além, é claro, de consultores de regulação que analisem a sua aderência ao conjunto de normas que disciplinam o território. Os campus da Uninove, sediados na cidade de São Paulo, foram projetados nos conceitos da ecoeficiência e tem por objetivo proporcionar aos seus milhares de estudantes e profissionais da educação, salas de aulas mais claras e, com isto, colaborar para eficiência energética e hídrica, além de conforto térmico.

Para Levy, o primeiro passo para economizar energia é ter um bom projeto elétrico. A instalação de painéis solares também é medida adequada a essa proposta. E, claro, é fundamental observar os selos de classificação dos eletrodomésticos, para escolher aqueles mais eficientes. Quanto à economia de água, válvulas de descarga a vácuo, redutores de pressão e muita educação quanto ao uso racional deste bem cada vez mais escasso, são medidas indispensáveis. Os materiais também têm extrema importância durante o processo: “os materiais que têm certificações de sustentabilidade e que, uma vez descartados, geram menos impacto ao meio ambiente, são os que melhor se adequam à perspectiva de uma obra sustentável”, orienta.

Startups e novos modelos de negócios sustentáveis

Por isso, a adoção de projetos sustentáveis em empreendimentos novos e a adaptação de edificações antigas a padrões mais elevados de sustentabilidade, por meio de retrofit, são medidas cada vez mais importantes. Além de darem concretude a um apelo cada vez maior de soluções sustentáveis, tais medidas proporcionam, a um só tempo, menor impacto ao meio ambiente, mais economia de dinheiro e recursos naturais, e maior preocupação social.

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A preocupação com materiais mais sustentáveis e métodos construtivos deve partir, principalmente, dos engenheiros e arquitetos responsáveis pelo projeto, e também por quem faz a compra de materiais, pensando em materiais que sejam resistentes e ao mesmo tempo duráveis, e que não causem danos ao meio ambiente. Pensando nisso, surgiu a Formação de Jovens Líderes Climáticos da Youth Climate Leaders, que é um curso que promove uma experiência imersiva de oito semanas, na qual os participantes aprendem sobre mudanças climáticas na teoria e na prática, além de ter a oportunidade de trabalhar com jovens de outros países em torno de questões ambientais. “Sem dúvida alguma, as pessoas que querem seguir por esse caminho precisam de força de vontade e proatividade para sair da zona de conforto, liderança para engajar cada vez mais pessoas sobre o tema e liderar em suas regiões iniciativas e projetos que abordem as questões climáticas”, destaca Felipe Isaac, que é engenheiro ambiental e participou do programa.

Observando também novos modelos sustentáveis, Isaac também lançou a Compost, com intuito de abordar diversas temáticas e lançar no mercado uma startup que lide com um grande problema que a maioria das cidades brasileiras enfrentam: a má-gestão dos seus resíduos orgânicos, que representa cerca de 50% de resíduos sólidos. “Oferecemos um serviço que leva benefícios para os clientes que realizam a separação dos resíduos orgânicos”, destaca. “Através da coleta e transformação por meio da compostagem em adubo, inserimos esse composto em uma cadeia de produção de alimentos que retorna posteriormente ao cliente, entidades carentes ou escolas municipais”, conta Felipe Isaac.

Adoção de projetos sustentáveis em empreendimentos
Observando também novos modelos sustentáveis, Isaac também lançou a Compost, com intuito de abordar diversas temáticas e lançar no mercado uma startup que lide com um grande problema que a maioria das cidades brasileiras enfrentam: a má-gestão dos seus resíduos orgânicos, que representa cerca de 50% de resíduos sólidos.

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